Beata Irmã Elena Guerra “Missionária do Espírito Santo”

Por Christof Hemberger (ICCRS)

A Beata Elena Guerra (1835-1914) é lembrada na história da Renovação Carismática como alguém que preparou o caminho. Ela corajosamente buscou o que estava em seu coração: O Espírito Santo precisa encontrar novamente espaço na consciência da igreja! Mas quem foi essa mulher que fez com que um século inteiro fosse chamado de “era do Espírito Santo” – e o que ela realmente conseguiu?

A Beata Elena Guerra nasceu em uma família aristocrática rica e foi educada de acordo com a sua posição. Sua natureza foi moldada pelo desejo “de fazer o bem para Deus”; o seu coração ardia pelo desejo da conversão dos incrédulos; além disso, ela, por vontade própria, visitava os pobres e doentes da sua cidade. Ela escreveu suas intenções e pensamentos espirituais em pequenas brochuras e folhetos. Elena reuniu pessoas que pensavam como ela e, quando ainda jovem, fundou grupos de oração e outras iniciativas (“Cenáculo Universal Perpétuo”) e a Congregação das “Irmãs Oblatas do Espírito Santo”.

Elena tinha o desejo de levar as pessoas a terem uma relação íntima com o Espírito Santo. A Igreja e a sociedade – dizia Elena – necessitam do Espírito Santo como nunca antes, para sua renovação e reavivamento! Ela foi incansável nessa tarefa: encorajava orações ao Espírito Santo e trocava cartas com padres e bispos, exortando-os a ensinar e a pregar sobre o Espírito Santo. Em seus diários, a Beata Elena chamava a si própria de “uma pobre serva do Espírito Santo” e até mesmo de “Portadora da Bagagem do Espírito Santo”. Como a reação que ela recebeu por seus esforços era ainda muito pequena, o desejo de pedir ao Papa por apoio e por uma difusão global da sua intenção cresceu nela ainda mais intensamente.

A mensagem da Beata Elena foi recebida pelo Papa Leão XIII (1810-1903) de forma pronta e aberta: apenas três semanas depois da sua primeira carta, o Papa introduziu um período solene de oração ao Espírito Santo entre a Ascensão e Pentecostes (hoje conhecido como Novena de Pentecostes). Entre 1895 e 1903, a Beata Elena escreveu um total de treze cartas ao Papa. Ela encorajou-o a exortar os Bispos a rezar junto com os fiéis por uma nova efusão do Espírito Santo, bem como pela unidade dos Cristãos, que apenas o Espírito Santo poderia criar. Em 1897, o Papa Leão XIII respondeu ao desejo de Elena ao escrever uma Encíclica (“Divinum illud munus”) sobre o Espírito Santo. Este documento era sobre o apreço ao Espírito Santo e aos Seus dons.

Enquanto em 1900 o Papa Leão XIII consagrava a humanidade ao Coração de Jesus, por ocasião do Ano Santo, a Beata Elena sentiu em seu coração o desejo de pedir ao Papa que iniciasse o novo século clamando pelo Espírito Santo. O Papa Leão XIII aceitou a sua sugestão e cantou o hino “Veni Creator Spiritus” (Vem Espírito Santo Criador) em nome de toda a Igreja. Esta oração não ficou sem efeito. No mesmo dia, o Espírito Santo realmente veio com os Seus dons tal como nos dias dos primeiros Cristãos. Entretanto, a oração foi respondida em uma forma diferente daquela que a Beata Elena e o Papa esperavam: O Espírito Santo foi primeiramente experimentado, em uma nova forma, por pessoas fora da Igreja Católica, que O haviam fervorosamente buscado em oração: na noite daquele mesmo dia, quando o Papa rezava em Roma, um grupo de Protestantes Americanos, reunidos em torno de Charles Fox Parham (1873-1923) experimentou uma efusão do Espírito Santo e dos Seus dons. Um segundo evento inicial do chamado Movimento Pentecostal foi um reavivamento na Missão da Rua Azusa, em Los Angeles, liderada pelo AfroAmericano William J. Seymour. O Espírito Santo não se ateve aos limites denominacionais….levou algum tempo até que membros da Igreja Católica também recebessem o Batismo no Espírito Santo e experimentassem a manifestação dos carismas em 1967, data que consideramos, até hoje, como o ponto de partida da Renovação Carismática na Igreja Católica, e cujo Ano Jubilar celebramos em 2017.

Exatamente em um período quando a nossa Igreja passou por grandes mudanças (o poder secular dos Papas desintegrou-se com a perda dos Estados Pontifícios na época da Beata Elena Guerra), esta pequena e inexpressiva Irmã religiosa ajudou a re-focalizar em um poder da Igreja que não dependia de regras ou de exércitos e que tinha sido esquecido por um longo tempo : o poder do Espírito Santo.

Em sua beatificação, em 26 de abril de 1959, o Papa João XXIII chamou-a de “missionária da Veneração do Espírito Santo em nosso tempo presente” e assim testemunhou a extraordinária vocação da Beata Elena na Igreja e para a Igreja, vocação esta que ela viveu corajosamente – e que faz dela um modelo para nós até hoje.

Fonte: http://www.iccrs.org/_files/files/Newsletter/pt/newsletter17pt1.pdf

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *